Você é estrangeiro?

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Você é estrangeiro?

 

por Freddy Bilyk,
editor convidado da edição O Estrangeiro

Aqui vai um pensamento que dificilmente sai da minha cabeça: “você é estrangeiro?” Isso sempre aparece. Foram poucas as vezes em que continuei a conversa. Pense no meu pai, então. Para os meus amigos mais próximos, ele era o “tio” com o sotaque no seu português. E testemunhei que seu inglês e francês também eram carregados. Na hora da pronúncia, a palavra diferente é a indicação de que processo de assimilação está acontecendo. Só que às vezes estanca.

Talvez não exista maior demonstração de afeto para os nativos do que o estrangeiro que se empenha em aprender um dos símbolos máximos da nova cultura, a língua nacional. Assim como o cheiro ou o calor, nunca será como o de um nativo e sempre será diferente. Em dias bons, passa a ser a forma da celebração das nossas diferenças. Mas e nos outros?

É aí que está a chave do castelo: esse é o jogo da sedução do forasteiro para que a aceitação seja rápida e a camuflagem, efetiva no novo habitat. Ele muitas vezes está descoberto. Em alguns casos, é a carta para casa que revela a dificuldade de achar tudo normal. Em outros, é a simples incompatibilidade. Se é assim, por que ficar? Como não ser atacado? A antropofagia não é osmose, mas é lenta. Demora.

Na verdade, nunca acaba.

 


Texto originalmente publicado na edição O Estrangeiro

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