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TURMA de 2017: Zé Manoel

Conheça Zé Manoel, músico e compositor (Petrolina/Pernambuco, 1980), selecionado pelo AMARELLO como parte da Turma de 2017.

Em 2017 a Tropicália completará 40 anos, o que nos fez pensar em quem seriam essas vozes hoje, que lá atrás pensaram e repensaram a cultura do nosso país.

O que eles tem a oferecer para o mundo global? O que pensam e produzem? Como transitam pelo mundo? Essa é a turma que queremos escutar o que têm para falar, sobre trabalho, sobre o Brasil e sobre o futuro.

“Apesar da falta de ânimo generalizada, dos golpes seguidos à democracia e à dignidade do povo brasileiro (já muito frágil), de vermos a olhos nus e em grande escala, o que acontece quando tentamos fazer qualquer pequeno movimento de mudança social e de paradigmas, o Brasil responde, na música e nas artes em geral, a todos esses acontecimentos, de forma muito criativa, plural e exuberante.

Aquela vontade de dar continuidade ao manguebeat, tropicália, ou qual- quer outro movimento artístico anterior, reutilizando os sentimentos, os manifestos, as formas de expressões, foi e está sendo empurrada pelos acontecimentos e necessidades atuais de expressão. É o mesmo movimento dos barcos, com barqueiros e embarcações diferentes, mas, sobretudo com novos anseios e sentimentos urgentes dentre os tripulantes.

Fazer uma música que seja retrato da minha ancestralidade, que projete as paisagens do lugar de onde venho e dos lugares que visito emocionalmente, que seja sincero comigo mesmo, mas que ao mesmo tempo, tenha coragem de sair de si e de se contradizer, quando for uma necessidade, é o que pretendo como artista.

Acredito nas palavras de Nelson Rodrigues quando disse que “temos dons em excesso” na sua crônica “Complexo de Vira-Latas” se referindo ao brasileiro e à falsa ideia de que somos um povo medíocre.
Do funk à música erudita ou experimental, toda música orgânica feita no Brasil é de uma riqueza incrível. Somos um dos países mais plurais e culturalmente ricos do mundo. Aceitar e tentar se apropriar de tudo isso é o que a minha geração continua a fazer. Nesse sentido, nada de novo desde a semana de 22. Mas derrubar crenças como essas, que são recolocadas todos os dias nas nossas cabeças pela grande mídia e detentores dos grandes interesses, é um trabalho para muitas gerações e um prato cheio pra nós artistas.”

Em 2017, Zé vai estrear um duo com o baterista francês Stephane San Juan, fazer um intercâmbio artístico com o grupo Amores Tangos em Buenos Aires e gravar um novo disco, que se aprofundará mais na música negra, além de fazer sua primeira uma turnê pela Europa.

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