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RITA DAMASCENO

Conversamos com Rita Damasceno, que até o dia 12 de novembro, apresenta a exposição “Avesso”, na Galeria Superfície, em São Paulo.

 

Conversamos com Rita Damasceno, que até o dia 12 de novembro, apresenta a exposição “Avesso”, na Galeria Superfície, em São Paulo.

 

“Sua obra parte do desenho de diagramas como forma de representação visual de determinado conceito ou ideia, um esquema que se relaciona frequentemente à ciência e à arte. Em uma justaposição de imagem e texto, Rita cria seu universo poético estabelecendo conexões entre assuntos relacionados à filosofia, ciência e o modus operandi do ser contemporâneo…

(descrição do trabalho no site da galeria).

 

 

NOSSA CONVERSA COM RITA:

 

Sobre a série UR:

 

Como é que eu cheguei no diagrama? Eu comecei a pensar nas inquietações que eu tinha a respeito do mundo contemporâneo, dessa coisa da falta de autonomia do pensamento. Eu comecei a pensar no pensamento, numa maneira de traduzir isso. Minhas próprias anotações se materializaram nos diagramas. O que é interessante, porque o diagrama é um hibridismo entre estética, cognição, imagem e texto. Então pra mim foi ideal para chegar nesse assunto.

 

O que eu faço aqui é tirar o diagrama do contexto científico e recoloca-lo numa imagem poética. Essas palavras alemãs vêm da influencia que eu tenho, porque eu morei 34 anos na Alemanha. UR é um prefixo da palavra alemã pra tudo que é primordial. Eu tenho muita influência também do mito. Por exemplo, este diagrama aqui atrás de gente, o UR NIX, que é filhos do caos.

 

Tanto o diagrama te posiciona, porque ele é uma imagem autônoma, onde você tem que pensar de uma maneira mais autônoma, lendo o diagrama, assim como o mito, onde você não questiona o mito, ele está ali, onde você se posiciona.

 

Ele fala com os diagramas, no meu caso, da experiência humana, da dificuldade de ser humano, da falta de autonomia em busca dessa procura de um pensamento autônomo.

 

UR-NIX

 

Sobre a série Avesso (e sobre ser contemporâneo).

 

Reversão é se colocar do avesso. O interno, toda a sua percepção interna pro externo. É você reverter o que você é realmente, com o que você pensa que é. Porque a gente é bombardeado pelo mundo, pela mídia, pelo Facebook…

 

Você olhando pra dentro, você vai ter um visão do mundo de uma perspectiva aérea. Isso é ser contemporâneo. É você ser critico com seu próprio tempo. Por isso, quando eu falo conhecer-se, é olhar com distância o mundo.

 

Quando você consegue se distanciar de você mesmo, das suas vaidades intelectuais, é que você consegue entender o mundo. E é isso que me interessa. É pra isso que me serve o diagrama. Eu distorço uma imagem cientificista pela responsabilidade de você assumir o seu papel no mundo, aqui e agora.

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