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RECALQUE DIFERENCIAL de Lucas Simões

Lucas busca relacionar o seu fazer artístico com especificidades intrínsecas de cada lugar onde realiza seus projetos, como em suas exposições recentes “dimensão encerrada”, “deserto” e “tudo deixará de existir”, tendo também grande interesse na relação com a arquitetura ao longo do tempo e os atravessamentos temporais por que passa um edifício.

 

Em sua recente residência em Londres, Lucas desenvolveu uma pesquisa sobre a situação atual da arquitetura brutalista na Inglaterra. Apresentando controvérsias quanto à validade de sua nomenclatura (derivada de Béton Brut) e sua produção como movimento; 50 anos depois este termo ainda é usado e estes edifícios que foram projetados para durar muito tempo se encontram em risco de serem demolidos. Tendo falhado em muitas de suas promessas, sua estética é seu resultado mais controverso e admirado.
Esta pesquisa resultou na instalação perpetual instability apresentada em londres

Os limites da pesquisa se estenderam buscando a relação com o movimento brutalista no Brasil e na América do sul, que em uma situação histórica muito diversa, tiveram como resultado grandes monumentos modernos. E aqui a instalação ganha sua tradução progressista de um país do futuro: Recalque Diferencial, uma expressão utilizada na engenharia civil que descreve a diferença entre os recalques (afundamentos) de dois elementos de uma fundação, que em muitas ocasiões originam fissuras diagonais nas estruturas.

De todas as questões e ligações possíveis que este tema apresenta, Lucas desenvolve uma grande estrutura de concreto que é aos poucos destruída pelo publico, sendo inevitável não fazê-lo, um “dead end” irônico, que pode gerar algum prazer nesta destruição. O movimento pelo vazio, pelos não-ditos; a utopia de uma possível paisagem compreensível ao longo do tempo, gerando como monumento grandes abismos.

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