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O Filme da Minha Vida

Nesta quinta-feira, 3 de Agosto, estreia O Filme da Minha Vida, terceiro longa metragem dirigido por Selton Mello.

 

O filme se passa nos anos sessenta, no interior do Brasil, trazendo um clima de nostalgia para a tela ao contar a história de Tony Terranova, jovem que, após um período de estudos longe de sua cidade, vê seu pai deixar a família para voltar a seu país de origem, a França. O filme já começa a circular entre festivais nacionais e pode rapidamente se tornar uma das apostas brasileiras para o Oscar de 2018, especialmente se considerarmos as ótimas críticas que vem recebendo. As expectativas são as melhores para a estreia que se aproxima e nós trouxemos nossa contribuição para a construção deste clima com uma galeria de imagens de Johnny Massaro e Bruna Linzmeyer durante as filmagens do longa em Ilhabela, no litoral paulista.

A dupla foi capa da Revista 7A Nº1 e as imagens que acompanham este texto são inéditas, produzidas para o editorial apresentado na revista, uma série de fotografias que destaca a conexão entre os dois atores e a potência na criação de seus personagens. Junto das imagens foi publicado o texto de Luiz Fernando Carvalho que você lê abaixo:

 

Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro por Luiz Fernando Carvalho

Não acredito em galãs. Acredito em artistas genuínos desempenhando o mito do galã, exatamente como fez Johnny em Meu Pedacinho de Chão, desconstruindo o mito, juntando, a um só golpe, ironia, humor e dramaticidade. Não me importava saber o que tinha feito antes na TV – procurei até não saber; o que me interessava era aquele rosto inegável de ator que o Johnny tem, tão raro hoje em dia: aquele nariz francês, olhos e boca grandes e um certo e especial desajuste em relação à tudo que está ao seu redor. Era exatamente isso o que eu queria e encontrei de forma generosa nele: um artista insatisfeito, gritando por mais, inquieto e com um monte de sonhos na cabeça. Essa mistura improvável, mas luminosa, de um Werther com Buster Keaton.

Bruna surgiu em um teste para Afinal, o que querem as mulheres? Já era uma revolução, já era esta artista vulcânica. Olhos vulcânicos, mente vulcânica, corpo e espírito vulcânicos. Atriz com uma coragem incomum para se expressar. Ainda menina, 17, de uma beleza perigosa, daquelas que arrastam. Eu estava diante de dons divinos ou demoníacos (tanto faz!), algo que ela ainda vai desfiar mais e mais durante a vida, puxando tudo com a força de uma luz que só a ela envolve. Quando a escolhi para a personagem que viria a ser sua estreia na TV, estava de passagem marcada para o Japão como qualquer linda garota naquela idade. Iria largar tudo.  Graças aos Deuses largou-se para o centro da brincadeira de ser uma russinha maluca – alcunha da personagem. Não foi loucura, mas sabedoria. Bruna alcançou momentos de grande lirismo, era como ela mesma, numa mescla muito sensível de menina e mulher. E neste fluxo eu percebia, como qualquer grande atriz, sua sensibilidade agarrada a doses de contradição. Bruna trazia dinamites no coração, podendo morrer por tudo ou nada a qualquer instante – essa era a sua força, era o tal vulcão, que a qualquer momento poderia lhe tirar o brilho dos olhos se não fossem as milhares de revoluções correndo pelo seu sangue.

O Filme da Minha Vida estreia em todo o Brasil na quinta-feira, dia 03 de Agosto. A 7A Nº1 está esgotada, mas você encontra os números 2 e 3 em nossa loja online.

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