Instinto selvagem e simplicidade em Cristina Canale

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Instinto selvagem e simplicidade em Cristina Canale

 

por Alvaro Seixas

Cristina Canale representa famílias, a alegria de viver das férias, do descanso, do direito ao lazer. Suas padronagens remetem a nomes fundamentais da dimensão decorativista de nosso modernismo, como Athos Bulcão e Paulo Werneck. A vitalidade de Canale e seu imaginário sempre esteve impregnada do instinto selvagem e da simplicidade alegre do sintetismo de Gauguin, dos Nabis, dos fauvistas como Matisse, Derain, Dufy e do Braque tardio.

Para esta revista, selecionamos as cenas de família – que nos lembram a atmosfera burguesa de outra pintora, Mary Cassat, não tanto pela maneira da pincelada, mas pela natureza das cenas representadas, pelo imaginário hedonista mas solitário e cheio de vazios coloridos. Nunca há multidões nas imagens de Cassat e Canale; sempre famílias a brincar em sua intimidade, quase que uma pequena matilha de feras inocentes num paraíso perdido. Somos os animais de Deus. Assim o pobre Franz Marc nos pintou. Crianças flutuam em meio a formas abstratas e, por vezes, se confundem com estas. Parecem almejar voltar a um estado de barro antes do pecado original, antes de serem animadas por Deus, antes de ganharem forma figurativa, quando eram caos e abstração.

 

Obras:

Detalhe de mãe e filha, 2007
Técnica mista sobre tela 140x165cm

Detalhe de Família em férias, 2007
Óleo sobre tela 170x260cm

Detalhe de mergulhadores, 2012
Técnica mista sobre tela 190x240cm

Detalhe de Casamento, 2010
Técnica Mista sobre tela 140x165cm

Fotos: Uwe Walther


Originalmente publicado na edição Infância
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