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ENTREVISTA: LUCIO RIBEIRO

Lucio Ribeiro dispensa apresentações para quem gosta de música, indie, rock, punk, ou simplesmente cair na noite. Para quem não o conhece, desde os anos 90 é jornalista de cultura, escreve sobre música na Folha, é autor do site mais acessado na “cena” online (Popload.com), e é um dos grandes responsáveis pelo Popload Festival, que terminou com show histórico de Wilco, no Ibirapuera, no começo de outubro.

Lucio conversou com a gente sobre tudo, inclusive o “espaço”, tema da nossa mais nova edição. Abaixo um papo pra lá de enriquecedor. Valeu, Lucio!

 

AMARELLO: Lucio, você faz muitas coisas, edita o site Popload, produz o festival, as gigs, escreve para jornal, é DJ, sócio do Cine Joia… Faltou alguma coisa em nossa pesquisa?

 

LUCIO RIBEIRO: Não, não faltou. (Mas) algumas coisas são mais intensas que outras aí no meio. O Cinejoia faz parte de um grupo, e eu estou sócio nesse grupo, e esse grupo, entre outras coisas, tem outras casas de shows, coisas que são ligadas a mim por causa da música, e eu sou ligado a essas coisas por causa da música. Então, tem desde o Pan Am, o Z Carniceria, a Lions, o Yatch, são lugares musicais junto com o Cine Joia que faz parte um grupo só. E, é isso, essa é minha vida pra você entender como é que é loucura.

 

A: E disso tudo isso que você faz, onde você sente que o Lucio Ribeiro está melhor representado? Nossa próxima edição é sobre o “ESPAÇO”, qual das suas funções você sente que é o seu espaço?

 

LR: Eu vou dizer pra você, de uns anos pra cá eu perdi os meus espaços. Na verdade, não é uma coisa de perder espaço, é talvez ganhar vários, não ter um só, e eu aprendi a fazer isso, eu não tenho um escritório só, as vezes eu fico aqui, as vezes eu fico no escritório do grupo Vegas, eu tinha até pouco tempo outro escritório com amigos, eu trabalho muito de casa também, as vezes de manhã, por motivos não fúteis, meus gatos me acordam muito cedo de manhã, e as vezes eu perco o sono e eu trabalho muito de manhã de casa, trabalho das seis até as dez da manhã, e tudo que bem que as vezes eu fico um bagaço se eu não dormir um pouco, mas (é isso), não é que eu sou um cara sem identidade, sem um espaço, eu tenho vários espaços. No começo era meio esquisito, mas depois eu comecei a me acostumar a ser um cara de vários espaços, até quando eu estou tocando como DJ, num festival, aquele é meu espaço de trabalho, por mais que seja um prazer, um job, e talvez eu estivesse lá mesmo, sem fazer parte daquilo como produtor, enfim. Mas dito isso, aqui na minha casa, fazendo meu site, é meu espaço predileto. É onde tudo começou, é por causa dele que eu tenho as outras coisas, talvez não seja nem o que eu mais ganhe, de dinheiro, dos dinheiros que eu ganho, mas é o meu sustentáculo, a minha espinha dorsal.

 

 

A: A gente imagina que de tanto falar e escrever sobre música, você tinha um conhecimento que te possibilitava convidar bandas e fazer as gigs e depois o Festival. É isso mesmo?

 

LR: Não. Isso não tem nada a ver, você pode não ter conhecimento nenhum e se meter num negócio de show business. O que facilitou pra mim é criar uma identidade, dentro da identidade jornalística que eu tinha. O tipo de banda que eu trago, o tipo de som que eu toco em pista. Então, dentro do meu perfil, que eu gosto, que eu criei pra mim mesmo, eu trago essas bandas, porque de uma certa forma antes de trazer as bandas eu ia muito em shows dessas bandas. É muito difícil eu trazer uma banda que eu nunca vi ao vivo. Eu já frequentava (shows) sem imaginar que eu ia estar nesse negócio de trazer shows, então, não é por causa do conhecimento que eu adquiri como jornalista, me deu um guia, me deu uma direção, mas não por causa disso que eu trago as bandas ou porque é mais fácil eu trazer as bandas.

 

A: Lucio, o trabalho de um produtor de festival é muito diferente do trabalho de um jornalista. Você gosta dessa loucura? Ou você não acha uma loucura?

 

LR: Eu acho uma loucura, mas é uma loucura que, por exemplo, o (Popload) Festival desse ano, que vai ser agora o próximo sábado, dia 8 (de outubro), começou em fevereiro. A gente, as vezes, esta trabalhando desde o final do outro (festival), que foi em novembro do ano passado, pelo menos no pensamento, nos exercícios, de você meio que pensar o que a gente quer da próxima edição, a gente vai fazer no mesmo lugar, a gente vai fazer de jeito, e é bem diferente do trabalho jornalístico. E ao mesmo tempo eles se cruzam. Eu estou sempre falando de música e de banda, que é o que eu escrevo. Mas são trabalhos diferentes, com tempos de dedicação diferente, mas assim, eu adoro os dois tipos. Talvez porque, também, no trabalho de organização de festival, eu fico mais numa parte um pouco mais intelectual do que na mão na massa, quem faz isso é minha sócia. Ela tem motivos pra ficar mais louca do que eu. Mas ela é tão caprichosa no que ela faz, ela é tão boa no que ela faz, que me permite ficar só na parte da questão intelectual mesmo.

Porque de você trazer uma banda a você levantar o primeiro prego, do primeiro palco que você vai montar num festival é um inferno. De trabalho de coisas pra serem feitas e serem cuidadas. Porque cada coisa que você descuidar, do bar que você escolher, do tipo de ingresso, do preço do ingresso, do não sei o que, isso vira uma bola de neve gigante. E eu consigo com que ela faça a grande parte deste, entre aspas, trabalho sujo, que no fim vai resultar em ter uma banda que eu e ela, _ porque ela manja muito de música, adora música, sempre gostou_ , ter aquela banda lá em cima daquele palco e a gente falar, nossa, é o nosso festival que está rolando. Mas, do primeiro preguinho, da primeira pessoa contratada pra ajudar, do cara que faz o pôster, da escolha do local, das cem visitas neste local, é ela que é a mais responsável. Então é mais cômodo pra mim falar que eu adoro a produção do Festival. Talvez essa pergunta seja mais pra ela, porque assim, é uma pedreira. Mas da minha parte, eu acho demais.

 

A: Vocês já trouxeram Belle & Sebastian, Cat Power, Iggy Pop… como foi chegar nessa bandas? Foi fácil trazê-los para o Brasil?

 

LR: A funcionalidade de uma negociação passa por escritórios de agências de artistas. Então não é que, vamos trazer o Iggy Pop, você liga pro Iggy Pop. Vamos trazer o Iggy Pop? De que agencia ele é? Aí você vai lá falar com os caras, e aqueles caras não tem só o Iggy Pop, ele deve ter uma quarenta, cinquenta bandas, artistas, enfim. Aí você vai lá falar com o cara, a gente tem um festival, ele é assim assado, já teve com a banda tal, a gente acha que o Iggy Pop tem um perfil ótimo, a gente queria ver a disponibilidade dele vir, tal. Essa coisa de você trazer artistas pro Brasil, trazer bandas pro Brasil, até no nosso perfil, que é um pouco diferente de Lollapalooza que, sem juízo de valor, atira pra todos os lados, vê o que pega, pode ser do Metálica a um cara de pop, um cara de R&B, um indiezinho. A gente tem uma linha que é a nossa linha, que pode varias, por exemplo, a gente traz artistas eletrônicos, mas é sempre dentro de um contexto que eu faria um post, que eu faria uma matéria no jornal, é  sempre dentro do meu escopo ali. Você pensa, puta, o Iggy Pop vai lançar um disco novo, o Tame Impala vai lançar um disco novo, vamos ver se a gente consegue trazer o Tame Pala? Vamos! Aí você liga pra agência do cara, vê se tem a disponibilidade, pra daí começar uma negociação de dura meses, você não negocia com menos de três meses da distância de um festival, é sempre uma grande troca de e-mails, longas, e uma hora o cara fala assim, ah, Iggy Pop, você tem essa oferta da China, outra do Chile, outra do Brasil, pra onde você quer ir? O que acontece é que por conta dos cenários musicais, a gente tem parceiros no Chile, em Buenos Aires, no Peru, então quando a gente está tentando organizar alguma coisa do nosso mundo, das bandas que a gente quer, a gente se consulta. Porque quando a gente monta uma proposta Sul-americana, é muito mais fácil do que montar uma proposta Brasileira. O Wilco não está vindo tocar em São Paulo, ele esta vindo tocar em São Paulo, no Rio, em Buenos, em Santiago. Porque senão, só pra você trazer o Wilco pra tocar em São Paulo, este preço, com toda deslealdade que é o dólar em relação ao real, o tempo que ele perde vindo pro Brasil ele faz quarto shows lá no Estados Unidos, porque não vai ter deslocamento, não vai ter coisas de visto, não vai mexes com tanta gente com uma turnê pra cá do que fazer shows lá, num circuito que é mais azeitado, mais fácil pra ele, por ser local. Então, isso tudo na balança você vai botando pra sair um Tame Impala, pra sair um Belle & Sebastian, pra sair um Iggy Pop. Não é uma coisa que a gente sentou e resolveu, não. É dentro da possibilidade do que a gente quer, do que a gente gosta, a gente vai atrás. O Wilco por exemplo a gente está atrás ha uns oito anos. Minha sócia já tentou várias vezes, e eles vamos sim, vamos sim, a não vamos mais, vamos gravar um disco. Vamos sim, vamos, ah, vamos fazer uma turnê em outro lugar. Então assim, é toda uma engenharia.

 

A: E em relação a credibilidade do Brasil? Como está o momento, com a gente nessa crise? Ou quando você tem o dinheiro é mais fácil.

 

LR: O dinheiro está no meio de tudo, obviamente. E quando você está lidando com agências, não tem uma emoção ali, o cara é um negociador, ele quer negociar o melhor pro cliente dele, o melhor pro escritório dele. E a gente, pra cá do nosso lado, fazendo o que pra gente é o mais importante, que é o que dá pra fazer, porque a gente é independente, é pequeno, perto de todos os outros. Então, é sempre uma negociação fria, como se você estivesse comprando um produto de supermercado. Aí você vai no caixa, se o sistema do cara não bate com o seu, ele não vai te vender. Ah, posso te dar um cheque, puta, não aceito mais cheque, agora é só cartão Elo. Ah, mas eu não tenho cartão Elo. Então desculpa, ele não vai te vender. Né? Vira um produto. É uma negociação como outra qualquer. As vezes os caras falam, ah, eu adoraria ir pro Brasil, pode acontecer também. Aí eles te avisam, olha, eles estão disponíveis, isso funciona também. Menos do que você ir atrás, mas também funciona. Credibilidade brasileira, assim, quando você faz um show, dois shows, três shows, e deu tudo certinho, você fica com um certo nome, que é o que a gente tem hoje em dia. É difícil você começar o negócio. Se você liga do nada e fala, olá, tudo bem, eu sou um milionário querendo trazer um show pro Brasil. Mas o que você já fez? Ah, não fiz nada. O cara fala, espera. Vai ser outra negociação. Mas quando você fala, opa, é do Popload Festival…

 

A: Mas vocês começaram de algum jeito…

 

LR: Começamos de algum jeito. A minha sócia começou de outros festivais, de outros jeitos. Então, assim, você começa super devagar e hoje a gente tem um trânsito bom. Porque a gente paga tudo direitinho, a gente faz as coisas dentro da lei, e tudo certo, porque não tem trambique, porque se o cara fala, eu quero um whisky x no camarim, vai ter o whisky x no camarim, não vai ter outro e a gente fala, putz, toma esse que é gostoso também, sabe? Era uma pecha que brasileiro tinha, de mau pagador, de promete uma coisa e não é a coisa que está aqui, o cara fala, puta eu preciso de um piano com três não sei que e dois não sei que lá, aí chegava aqui não tinha, tinha outro. Então, assim, essa reputação, essa solidez de negociador a gente tem, e isso nos permite trabalhar com uma certa tranquilidade, nesse cenário, nesse circuito. Então nisso a gente está bem. E de certa forma até ajudando na credibilidade de outros brasileiros. Assim, existem brasileiros que fazem as coisas brasileiros direito.

 

A: Sobre o line up do Festival esse ano, Wilco, The Libertines, Ratatat, Bixiga 70, Ava Rocha… como se dá essa formação? Você chega a imaginar que tal e tal banda “combinam” com a outra, como funciona?

 

LR: Festival, por si só, chama uma variedade de coisas. A gente procura atingir um público, que é o público que vai nas nossas festas, nas nossas casas, que lê o meu blog, lê minhas matérias, e esse cara, por exemplo, eu imagino que seja igual eu. Eu gosto de rock pesado, eu gosto de punk, eu gosto de musiquinha romântica, eu gosto de eletrônico, eu gosto de R&B, quando R&B é legal. Então, assim, é difícil eu colocar um cara de Jazz, aí, por exemplo. O Bixiga 70 é talvez o grupo mais estranho que está no Festival, mas é um grupo que toca nas minhas casas, que eu vou ver, que toca em festivais independentes lá fora. Assim, na hora que você fala, ah, será que eu trago o Liniker, que toca MPB? A Céu lançou um puta disco legal, vamos trazer a Céu? E não fica legal a Céu tocar com o Liniker? Puta, fica. Entende? No ano passado a gente pôs o Iggy Pop, e antes dele a gente pôs Emicida, que é um cara super urbano, paulistano, hip-hop. O que acontece, você trouxe dez caras que foram ver o Emicida, e de repente estes caras enxergam o Iggy Pop, que é a história do rock na frente dele, e que talvez ele não tenha tido acesso, mas no festival ele fala, puta, eu tive uma experiência inacreditável. Isso é uma das coisas mais legais. Ou se o fã do Iggy Pop visse o Emicida tocar em outro lugar ele não iria também, e no Festival ele conhece o Emicida, e gosta. Festival traz esse tipo de experiência.

 

A: Escrever sobre música é como escrever sobre arte. Precisa ter muito cuidado para não ser subjetivo, mas também requer uma sensibilidade, conhecimento, não deve ser fácil diferenciar uma música boa, que você gosta, de uma música que está fazendo um certo sucesso, ou muito sucesso, e você não gosta tanto. Você consegue se abster do seu gosto?

 

LR: O que eu acho mais legal num papel de um jornalista digno, não sei se eu consigo ser esse jornalista digno, é ele contar uma história. Por que que o Tame Impala lançou um disco de psicodelia esse ano? Qual é a onda de ups and downs da música que leva os caras, hoje em dia, a lançar um ótimo disco de psicodelia? O meu gosto esta ali no meio, mas dentro da seara que eu gosto, qual a importância histórica, por que este disco esta saindo hoje, o que levou a molecada a gostar desse disco agora? Por que a cena americana está legal e a cena inglesa não está? Isso é o que mais me fascina. E é lógico que se eu gostar da banda, eu vou achar elementos para trazer pra minha história, dentro do meu site, e até trazer essas bandas ao vivo pra tocar. Mas eu tento passar um pouco do que eu estou enxergado, baseado no que eu aprendi quando era pequeno, com meus primos, eles gostavam de Led Zeppelin, Deep Purple, e eu odiava, mas eu escutava, e aquele som me formou de alguma maneira. Ah, Pink Floyd, puta viagem, musica de oito minutos, odeio, mas escutava. Aí veio o punk rock e com música de um minuto e meio quebrando tudo, e dois acordes. Eu gostei mais desse! Porque o que eu queria naquela época, pivete, a energia que estava saindo dali. Então, esse tipo de coisa, vai te criando e você vai conseguindo contar histórias.

 

Mais histórias.

 

LR: Nos anos 90, eu tive sorte de entrar na Folha, eu tive sorte de escrever sobre música, eu tive sorte de ter um chefe que era meu amigo e que não manjava de música e que confiava no que eu escrevia sobre música, então, assim, um monte de sorte me fez eu criar um caminho dentro da Folha e ter a visibilidade que eu tive, dentro de música e o cenário jovem, que me levou a criar o blog, o site, enfim. Quando eu cheguei nessa cena de site e blog era só que eu falava. Respaldado por ser um cara da Folha, _ Oh, o cara da Folha. (imita). E você ser o cara da Folha, todo mundo te convida pra ir em shows, e te dá o disco, entendeu? E tudo isso esta na minha formação. Desde os meus primos até o cara da folha. Mas eu era o único cara. Hoje em dia tem duzentos, quinhentos, mas o meu (site) está lá vivo. Porque eu trago toda essa bagagem. Eu vivi o Nirvana, eu vivi o Oasis, eu fui no show dos caras. Isso tudo, se você conta a historia, faz diferença, e é bem melhor do que criticar. Ah, essa música eu não gosto. Eu posso não gostar de uma musica, mas você gostar, fica uma coisa de achismos, eu gostei, não gostei, quem sou eu? Na minha carreira eu nunca me achei, mesmo estando na Folha, escrevendo capa de Ilustrada, me achei mais sabedor do que ninguém. Até hoje eu tenho vários aliados, várias antenas que eu consulto. Eu tenho uma menina de 21 anos, eu sou louco pra saber o que essa menina de 21 anos que eu conheço esta ouvindo. Eu tenho o cara que trabalha comigo há muito tempo no meu site, ele é de Minas Gerais, não bate muito o meu gosto com ele mas eu adoro saber o que ele pensa. Eu tenho essas pessoas.

 

Quando eu comecei a gostar de música…

 

Quando eu comecei a gostar de música, tinha um cara que escrevia pro Estadão que eu adorava, tinha o Fabio Massari, da MTV, o Kid Vinil, sei lá, uns cinco caras que falavam de música e que eu adorava. Não tinha revista gringa, não tinha show, era com eles formavam opinião. Hoje em dia você pode ouvir rock espanhol, uma das melhores rádios de rock que eu escuto é australiana, a outra é francesa, tem todas as revistas. Um moleque como eu que fala, puta, eu não gosto só de menininha, eu não gosto só de jogar bola, eu gosto de música, o cara tem um trilhão de canais. E ao mesmo tempo, por redes sociais, ele consegue ter os curadores dele, sendo o amigo, o primo. O meu primo, assim, quando eu ia na casa dele, eu sabia o que ele estava ouvindo. Hoje em dia o primo desse moleque está no Facebook falando. Você não precisa ir na casa de ninguém. Então, assim, eu acho maravilhoso isso. Eu tenho um exemplo muito claro, a primeira vez que eu ouvi o Smiths, eu ouvi no rádio. Pra eu ouvir o Smiths de novo eu tive que esperar um tempão. Hoje em dia, você escuta o Smiths da vez e em menos de dois minutos você baixa a discografia inteira dele, lê todas as matérias da imprensa inglesa, americana, francesa. Eu nem acho isso mais fácil! A gente tinha a escassez, a dificuldade que o cara tem hoje é a seleção. Tem um milhão de bandas, quais as dez que eu vou ouvir? Porque você não consegue ouvir um milhão de bandas, você não consegue ler um milhão de revistas, quais eu vou ler? Então, cada época tem sua benesse e sua dificuldade. Eu não me acho melhor do que ninguém. Eu sempre tenho exemplos na minha cara de coisas que eu falo, nossa, eu achava uma coisa e esse moleque de 15 anos achou outra coisa muito melhor que a minha, sabe? Não é que eu falo, _ Ah, eu sou o cara que sempre escreveu sobre música, quem é esse moleque? Nunca. Muito pelo contrário, eu acho até que eu sou inferior que muita gente que não teve a oportunidade que eu tive, sabe?

 

A: Em 2014, quando você lançou o site Popload, você escreveu dizendo que o lançamento do site ia ser dia 5/5 às 5:55, data e horário “cabalístico”. Você é místico? Em que você acredita, e porque você não duvida dessas coisas?

 

LR: Não, isso foi uma brincadeira que eu fiz, eu não sou místico. A gente queria que fosse em maio, eu tenho uma coisa com maio, eu nasci em maio, mas foi uma coincidência, se ele fosse lançado em junho ou julho tudo certo. No dia, eu não sei nem se foi ideia minha, ou dessa moçada que me ajuda, alguém falou, ah, vamos lançar dia 5, as 5h55, aí dá tempo de fazer os testes o dia inteiro, aí, ah, vamos, ótimo. Mas foi uma brincadeira, não que seja uma coisa que me mova, eu nem lembrava disso, você que me lembrou agora. Mas assim, eu não trabalho com a mística. Eu acho as coincidências legais, e as vezes eu penso nelas.

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