Dez capas para 10 anos de Amarello

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Dez capas para 10 anos de Amarello

Ao completar uma década, a revista Amarello comemora a data com dez capas especiais para a edição Terra.

 

Pode não parecer, mas 10 anos passam muito rápido. A velocidade, porém, não atenuou os desafios nesse período, mas, pelo contrário, serviu para intensificar a aventura que tem sido levar uma revista sobre arte e cultura, impressa e independente, para as bancas do Brasil. O Brasil, aliás, que sempre foi o norte afetivo-editorial da Amarello. Ao explorar a cultura brasileira, acreditamos estar ajudando a divulgar e a compreender melhor o Brasil.

Para a edição especial de 10 anos, o tema não poderia ser outro senão a Terra. Esta imagem tanto material quanto metafísica, símbolo originário e fundador, que tanto tem a revelar sobre a nossa identidade nacional. Da terra que nos sobre à terra que nos falta. Afinal, somos o quinto país em extensão territorial, e há ainda muito nele a ser descoberto.

Em comemoração a essa data, o espetáculo A primeira chuva não molha foi concebido tendo Os Sertões, de Euclides da Cunha, como inspiração. Ao mesmo tempo, preparamos dez capas distintas para ilustrar a edição Terra. Elas foram fotografas por Gleeson Paulino durante uma imersão na aldeia Cipiá, em Manaus, às margens do Rio Negro. Através delas, propomos o rompimento do mito indígena, romantizado e arcaico, dando lugar a uma série de retratos em que os índios demonstram viver de maneira integrada à nossa sociedade.

Assim como antecipa o texto abaixo, na abertura da edição, o importante não é nos preocuparmos unicamente em dar voz aos que estão ao nosso entorno. O fundamental continua sendo nos colocarmos atentos e dispostos a escutar, independente de quem fala. Pois a natureza, ela, sim, é revolucionária.

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A Nossa Trajetória

Certifique-se de estar sempre do outro lado. Não escute aqueles que insistem que você deveria tomar partido, como você sabe, um lado é só um lado. Cultive a dúvida, esse caminho para a liberdade, e seja gentil. A incerteza é dura, mas mais honesta do que acordar com a certeza de tudo. Não é fácil, mas acalma a mente e tranquiliza o coração.

Viajar pelo Brasil me faz resgatar a esperança no país. A pluralidade de sotaques, cores e cheiros. A cordialidade, gentileza e delicadeza das pessoas, inúmeros desconhecidos, que me fazem lembrar a qualidade da nossa matéria-prima humana. Nem tudo está em chamas. Nem tudo é só preto ou só branco.

Falamos muito do contemporâneo, essa palavra transitiva e relacional. Somos contemporâneos com algo ou alguém e é essa interdependência, essa necessidade de ligação, que nos permite estabelecer uma ponte com quem aqui esteve e com quem aqui está.

A natureza é humana, e a natureza humana é revolucionária. Quem está inserido nela está pronto para falar, basta que tenhamos capacidade para escutar, sem criar muros que separam o que é selvagem do que é cultivado.

Minha vida toda estive do outro lado e duvidei. E com isso aprendi que a vista do lado de lá, é muito mais bonita.

Tomás Biagi Carvalho | Carta do Editor

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