Brasileirinho

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Brasileirinho

Na terra “onde se plantando tudo dá”, muitas espécies das plantas familiares ao nosso olhar são exóticas

por Mariana de Castilho Barbosa

trabalhos de Mariana Tassinari e Vitor Mizael

 

Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium) e espécies de gengibre ornamentais (Zingiber spectabile) são asiáticos. Lágrima-de-Cristo (Clerodendron thomsonae) e bela-emília (Plumbago capensis), africanos – e o popular agapanto (Agapanthus africanus), como o nome botânico indica, também. Todas são plantas que encontramos no Brasil facilmente, algumas conhecidas popularmente com singeleza e poesia.

Costela-de-Adão todos conhecem, com suas folhas grandes, muito verdes e recortadas, e seu jeito tropical, muito comum em nossos jardins. Mesmo parecendo brasileiríssima, a Monstera deliciosa é mexicana. Outro mexicano é o amor agarradinho (Antigonon leptopus), trepadeira vista em muitos caramanchões.

O nome botânico dá muitas pistas; a Camellia sinensis (de suas folhas fazemos o chá) é chinesa, a Camellia japonica, a camélia dos jardins, provavelmente é originaria da região chinesa, japonesa ou coreana.

brasileirinho, árvore que atinge de 5 a 10m de altura.

Na terra “onde se plantando tudo dá”, muitas espécies das plantas familiares ao nosso olhar são exóticas, o que significa que são oriundas de outros países ou continentes. Os colonizadores portugueses introduziram as primeiras plantas exóticas e, depois, outros europeus e orientais também contribuíram.

Muitas espécies foram trazidas para a agricultura, como o africano cafeeiro mais cultivado por aqui (Coffea arabica), vindo da Etiópia, e a asiática cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). Variedades dos australianos Eucalyptus foram introduzidos para poupar as matas paulistas da extração para madeira e lenha na época da construção das estradas de ferro. Os motivos são vários.

No pomar, encontram-se grandes surpresas: Mangifera indica, a mangueira da escola de samba, e a jaqueira (Artocarpus heterophyllus) são hindus.

O abacateiro (Persea americana) veio da América Central; brasileiros periquitos e papagaios adoram. O mamoeiro (Carica papaya), como veio da América tropical, também é considerado exótico.

A melancia (Citrullus lanatus) também é africana.
Até a popular bananeira (Musa × paradisiaca) foi introduzida no século XVI. A maior parte das espécies de bananeiras é originária do Sudeste Asiático.
Laranjeiras e limoeiros (espécies de Citrus), caramboleira (Averrhoa carambola) e caquizeiro (Diospyros kaki) são asiáticos, indonésios ou malaios. A palmeira (Elaeis guineensis), de onde se extrai o óleo de dendê, é de origem africana.

brasileirinho, árvore que atinge de 5 a 10m de altura.

brasileirinho, árvore com folhas de colorido verde-amarelo.

A maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana), suculenta que colore as estradas em direção ao litoral do Sudeste, na Serra do Mar, é de origem africana. Quem brinca de apertar suas “frutinhas” nunca imagina que a simpática “plantinha que explode” veio de tão longe, do outro lado do oceano. É considerada uma espécie subespontânea.

No paisagismo, Burle Marx e a família Dierberger introduzi- ram inúmeras plantas exóticas. Outras foram trazidas não se sabe bem como. Por imigrantes com saudades de casa, viajantes que se deslumbram com uma espécie nunca vista, curiosos, ou na implantação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. “Plantas não têm passaporte” e não respeitam limi- tes geopolíticos; espalham-se naturalmente.

brasileirinho, árvore que atinge de 5 a 10m de altura. brasileirinho, árvore com folhas de colorido verde-amarelo.

brasileirinho árvore muito cultivada na arborização urbana em cidades do Nordeste do Brasil, como Recife.

Quase todos os chamados jasmins são exóticos: jasmim-dos-açores (Jasminum azoricum), jasmim-de-madagascar (Stephanotis floribunda), jasmim-do-cabo (Gardenia jasminoides), jasmim italiano (Jasminum grandiflorum). A variedade climática possibilita muitas origens.

Tem os antúrios (Anthurium x froebellii) colombianos; a trepadeira jiboia (Scindapsus aureus) original das Ilhas Salomão, os agaves e cactos (variedades) mexicanos; os copos-de-leite (Zantedeschia aethiopica), as espadas-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata) e as espatódeas (Spathodea nilótica) africanos, as variedades de figueiras (Ficus), cássias (Cassia) e hibiscos (Hibiscus) asiáticos; a palmeira-seafórtia (Archontophoenix alexandrae) australiana. Plantas muito presentes em nossos jardins, quintais, vasos e paisagens. A folhagem exuberante, o colorido, as flores e os frutos não convencionais e a aparência “tropical” se confundem com os autênticos brasileiros ipês amarelos (variedades de Tabebuia), jabuticabeiras (Myrciaria jaboticaba), helicônias (variedades de Heliconia), alamanas (Allamanda Cathartica) e manacás-da-serra (Tibouchina muta- bilis).

brasileirinho, árvore que atinge de 5 a 10m de altura. brasileirinho, árvore com folhas de colorido verde-amarelo.

brasileirinho, árvore muito cultivada na arborização urbana em cidades do Nordeste do Brasil, como Recife.

brasileirinho (Erythrina indica) é hindu, filipino, malaio ou australiano, o nome botânico dá a pista.

 


Texto originalmente publicado na edição O Estrangeiro

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