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AMARELLO Entrevista: Márcia Xavier

A artista visual Márcia Xavier abriu recentemente sua individual Geologia Doméstica, na Casa Triângulo. A mostra é uma viagem pela memória e a relação da artista com as imagens de sua família. Conversamos com Márcia por email para saber mais sobre a mostra e seu processo criativo:

AMARELLO: Você menciona na carta para sua mãe o ato de escavar as imagens, em um movimento interno e não externo a elas. Como essa mudança de lógica na sua produção marcou a criação das obras?

Márcia: No processo para a exposição, geologia doméstica, sinto que o meu trabalho se aproximou do ritual, tanto nas colagens entre fotos e pedras, quanto nos fotogramas. Deixei a intuição guiar a criação, o que permitiu mais liberdade para experimentar. Um impulso dadaísta. O fotograma é ritualísticos. Deito sobre papel fotográfico ainda no escuro e faço pequenos movimentos com o corpo. Acendo a luz do ampliador por 4,3 e 2 segundos. A imagem é uma surpresa, sombras brancas que flutuam sob uma bruma aurática. O Resultado é um segredo, que só é revelado dias depois, criando uma outra maneira de lidar com o tempo. No fotograma nada é imediato, tudo tem um tempo de espera e contemplação, uma resposta a rapidez alucinante e estúpida dos nossos tempos.

 

A: Como a sua relação com essa imagens, sua memória, moldou a maneira com que você lidou com elas na criação deste trabalho?

M: Eu já conhecia o álbum dos meus pais, mas só quando ele foi invadido pelos fungos é que me senti a vontade para interferir. O acidente foi a fagulha para experimentação. Embora o casamento seja a minha origem, minha geologia, quando a pedra entra na cena, ela liberta o trabalho da minha biografia. As imagens crescem, ampliadas na escala do corpo e apontam para dentro de uma cena surrealista onde as pedras parecem voar.

 

A: A vida da imagem antes de chegar ao seu trabalho é essencial para você? Como as camadas de tempo presentes em cada fotografia influenciam a sua transformação delas?

M: A Caverna (obra da exposição) é uma fotografia antiga (30 anos atrás) que fui buscar num limbo de imagens (meu acervo), que chamo de inconsciente fotográfico. A rocha, aquela pedra furada pelo mar, o buraco, o sexo feminino. Esse sentido simbólico da imagem só aconteceu quando a pesquisa para a exposição avançava. A Caverna é a origem do feminino e convida o espectador a entrar na instalação da Santa, onde penetramos em um universo uterino. A origem do mundo.

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